O que correu mal em Albufeira, em Junho de 2004, para ter havido arruaças, violência nos bares, esplanadas e ruas, bem como intervenções com mão-de-ferro da força de segurança no terreno?
O psicólogo Clifford Stott tem uma explicação, coerente com o tipo de preparação que defende para as grandes concentrações "A GNR não adoptou as mesmas tácticas da PSP e não conseguiu fixar, desde o começo, os limites ao comportamento nem distinguir entre os causadores de distúrbios e os que apenas se encontravam no local". Resultado: "Foram envolvidos mais fãs e deu-se uma escalada".
Na interpretação do investigador,"uma actuação policial indiscriminada e de mão pesada tem mais probabilidades de criar um problema que de o resolver, na medida em que ela leva os adeptos a sentirem que a Polícia está a agir mal; assim sendo, eles unem-se contra a Polícia e encaram a violência não como 'hooliganismo', mas como reclamação de direitos".
A isto acrescenta Otto Adang, parceiro da pesquisa e que pertence à Academia de Polícia da Holanda, que "as intervenções policiais devem ter apenas como alvo os adeptos cujo comportamento é reprovável e devem ocorrer antes que os acontecimentos fiquem fora de controlo".
Segundo Clifford Stott referiu ao JN, deste estudo pode extrair-se com principal conclusão que "o meio mais eficaz de impedir distúrbios é o de policiar os adeptos através de técnicas pro-activas de baixo impacto, atitude que foi tomada pela PSP". Esse facto, diz ainda, explica a razão pela qual, apesar da presença de centenas de "hooligans", não houve distúrbios. Aqueles terão sentido que a situação estava sob controlo.