Face aos media profissionais, a blogosfera "assume-se mais como um complemento do que como uma alternativa" e funciona como uma nova fonte para os jornalistas, defendeu Manuel Pinto, docente da Universidade do Minho e provedor do JN, no "2.º Encontro de Weblogs", que na sexta-feira e ontem decorreu na Universidade da Beira Interior.
Manuel Pinto foi um dos oradores e apresentou um estudo baseado nos inquéritos a algumas dezenas de autores de blogues, que participaram no primeiro encontro, em 2003, em Braga, e no que ontem terminou na Covilhã. "Há uma tendência para o equilíbrio homens-mulheres", referiu, salientando que há "um peso significativo de pessoas com formação superior" na blogosfera e que os respectivos blogues ocupam "um tempo significativo na vida quotidiana". Por outro lado, Manuel Pinto conclui que o fenómeno "perdeu o encanto da novidade e entrou em velocidade cruzeiro".
"A blogosfera serve para nos informarmos e intervirmos na sociedade", com destaque para o papel que assume como fonte, até para os media profissionais. "Por um lado, uma nova fonte dos media (mesmo quando eles não reconhecem e citam essa fonte), por outro, uma nova fonte para os cidadãos e para os próprios bloggers", concluiu.
O encontro de "weblogs" da Covilhã apresentou conclusões sobre a influência dos blogues em seis áreas específicas (Cultura, Política, Ensino, Jornalismo, Contexto Organizacional e Imagem) para as quais foram criados diferentes grupos de trabalho. O JN conseguiu ontem à tarde espreitar algumas das conclusões do grupo dedicado ao Ensino. Para além de permitirem partilhar conhecimento na Internet de forma instantânea, com os blogues é possível uma grande interactividade e colaboração entre professores e alunos.
Quanto ao futuro, "ainda estamos no início de um longo processo", referiu Leonel Vicente, autor do "Memória Virtual", para quem há "várias portas abertas", seja em termos conceptuais ou de capacidades técnicas. "Começa a haver o mesmo tipo de ferramentas para cada pessoa publicar na Internet os sons e vídeos que recolhe", em vez de somente texto, apontou por sua vez o jornalista e blogger Paulo Querido.