Um estudo da Deco-Proteste, conhecido em finais de Setembro, sobre níveis de radioactividade na cidade do Porto foi, ontem, posto em causa pelos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) do Porto, que acusam a Associação Portuguesa para a Defesa dos Consumidores de fazer um alerta geral com a recolha de uma só amostra na cidade. A organização defende-se e alega que o seu papel é de denúncia e não de controlo.
"O que se passou é grave. A Deco diz que os índices de radioactividade na rede pública de água no Porto são elevados e baseia a sua conclusão nos resultados de uma amostra recolhida num estabelecimento da cidade que, apurou-se, estaria a utilizar águas subterrâneas. Não se podem tirar conclusões com um só caso quando os SMAS servem 150 mil clientes", referiu, ontem, ao JN, o presidente dos serviços e vereador do Ambiente, Rui Sá.
"A Deco-Proteste escolheu 49 localidades para analisar a água, entre as quais o Porto, no sentido de apurar níveis de radioactividade. Fê-lo na óptica do consumidor, recolhendo amostra numa torneira de um restaurante da cidade. Fez a fotografia do momento. Denunciou a situação, em Junho passado, e pediu medidas para corrigi-la, remetendo os dados para as entidades a que compete controlar as águas. Estamos em Outubro. Houve tempo suficiente para reagir", argumentou Rita Pinho Rodrigues, da Deco.
"OS SMAS não são obrigados a analisar os índices de radioactividade, mas tem feito esse papel em colaboração com a Administração Regional de Saúde do Norte. Quando o estudo foi tornado público, no mês passado, já tínhamos suspeitas de que um estabelecimento de restauração estaria a utilizar, clandestinamente, uma ligação a águas fora da rede pública. Coincidentemente, é o mesmo onde a associação fez a única recolha de água para análise. Um critério de que só tivemos conhecimento há dias", salientou o autarca.
Fonte da Delegação de Saúde no Porto, entidade a que compete actuar perante situações irregulares, assegurou que "o problema está resolvido". O restaurante acatou a proibição de uso das águas fora da rede pública e, caso reincida na ligação clandestina, será encerrado e a sua designação comercialpublicitada, como alerta público. "Não faz sentido estar, agora, a denunciar o caso quando há garantias de segurança no consumo de água".