Os bancos suspeitos de envolvimento em fuga ao fisco e branqueamento de capitais visados nas buscas tiveram condições, logo na segunda-feira, para saberem que iam ser alvo da acção do Ministério Público, na sequência de um erro na redacção e notificação dos mandados. A falha acabou por agravar o ambiente entre o Departamento de Investigação e Acção Penal (DCIAP) do Ministério Público - o tutelar do processo - e a PJ, chamada a dar apoio e que sempre criticou a forma como a operação foi planeada e executada.
É que os mandados de busca dirigidos ao Grupo Espírito Santo (GES) foram entregues por fax na segunda-feira, dia em que começaram as buscas, mas por uma falha, ao invés de vir apenas referido o "alvo" em causa, vinham já também identificados os nomes dos outros grupos financeiros.
A consequência é que terá corrido, de imediato, nos meios bancários que o Millennium BCP era o próximo alvo das inspecções, seguindo-se o BPN e o Finibanco. Nos mandados vinham também as determinações judiciais aos bancos para levantar o sigilo bancário a determinadas contas, das referidas instituições financeiras, o que poderá ter permitido pôr de sobreaviso os clientes investigados.
O JN contactou a Procuradoria-Geral da República para comentar, mas não houve disponibilidade para tal. Sabe-se, no entanto, que a Judiciária, envolvida nas buscas, fez transparecer o desagrado, que começou na sexta-feira da semana passada, na reunião que precedeu o iniciar das operações e onde estiveram reunidas cerca de cem pessoas, entre magistrados, elementos da Inspecção de Finanças e investigadores da PJ.
Aliás, durante esta semana, a PJ teve mais uma surpresa, quando descobriu que o plano da operação estava exposto num elevador do DCIAP para ajudar no encaminhamento do material aprendido.