Desenhos e pinturas de Cruzeiro Seixas dos anos 40 aos dias de hoje, constituem a exposição que inaugurou o novo espaço da Galeria de São Mamede, no Porto. Denominada "Fauna, flora e arte" esta mostra é composta por cerca de 40 pinturas e desenhos sobre papel concebidos durante 60 anos.
Para Cruzeiro Seixas, indiscutivelmente um dos maiores vultos do surrealismo português, as obras agora expostas são fruto do sistemático "deixar cair a mão".
Segundo confidenciou ao JN, todos estes trabalhos, criados ao longo dos anos, acontecem sempre que "ponho a mão em cima da mesa e depois já não interfiro na actividade da mão, porque a mão já anda sozinha".
Recusando assumidamente o "estatuto" de pintor, Cruzeiro Seixas considera que os seus desenhos e pinturas, ou papéis, como carinhosamente lhes chama, tornam-se visíveis e reais porque "é a alma que se movimenta cá dentro. Isso é mais forte do que todo o resto e depois, claro, surgem estes papéis que traduzem, ou pretendem traduzir, a minha linha surrealista".
As obras expostas no Porto evidenciam uma vez mais a coerência de Cruzeiro Seixas que elegeu o surrealismo como caminho único e, simultaneamente, prioritário. São corpos distorcidos, mutilados, transformados e metamorfoseados com animais e plantas que nascem de um traço rigoroso, mas ,ao mesmo tempo, liberto e espontâneo. Seixas é um assíduo construtor/desconstrutor de corpos e de mundos que reflectem uma ilimitada imaginação que nos sopra inesquecíveis e fantásticas histórias.