Margarida Fonseca*
O Governo começa hoje, através do Ministério da Agricultura, a distribuir pelos serviços municipais de veterinária circulares com as novas regras para a venda de aves em feiras e mercados. A ideia é notificar, formalmente, os serviços para que procedam ao cumprimento das directivas comunitárias que impõem a proibição, no âmbito das medidas preventivas da gripe das aves assumidas por Bruxelas, que Portugal acatou na passada sexta-feira.
A descoordenação na informação deu azo, nos últimos dias, a imposições diferentes em vários pontos do país. Anteontem, em Águeda, os comerciantes do mercado souberam, da boca do veterinário municipal, que a venda de aves está proibida naquele espaço, até ordens em contrário. No mesmo dia, na feira de Custóias, em Matosinhos, os negócios com passarinhos decorreram sem obstáculos. Ontem, na Feira dos Passarinhos, na Cordoaria, Porto, esperavam-se notícias oficiais, enquanto se vendiam aves e se especulava sobre se, hoje, na feira de Espinho, ainda haveria espaço para o comércio de aves.
Complicações
"Só queremos saber se a venda será ou não proibida. Fala-se da gripe das aves desde 1999 e, agora, sabendo-se que há risco de pandemia, é bom que se esclareça o que vai ser assumido em Portugal", disse, ontem, ao JN, Vitorino Ribeiro, criador de aves, presença assídua em feiras do Norte e voz desencantada perante "notícias cruzadas que só servem para complicar".