Afinal as novas regras de relacionamento da Câmara do Porto com a Comunicação Social, definidas por Rui Rio no início da semana passada, são só para os jornais. Numa entrevista à Rádio Festival, emitida ontem, o presidente da autarquia esclareceu que se deixará interrogar livremente pelas rádios e televisões, mas para os jornais "as entrevistas são só por escrito".
"A forma como uma parte da Comunicação Social funciona não me agrada. O que decidi foi impor regras de higiene", afirmou o autarca, que entende ser necessário um "distanciamento entre a Comunicação Social e a política".
Recorde-se que, na sequência de uma entrevista publicada pelo JN a 30 de Outubro, o autarca, desagradado com a manchete, convocou, no dia seguinte, os jornalistas para dar conta das novas regras de relacionamento com a Comunicação Social. Uma das medidas impostas é que as perguntas e respostas sejam por escrito. Não tinha, no entanto, esclarecido que as imposições eram só para alguns.
No decorrer da entrevista, em que a jornalista garantiu, por duas vezes, que as perguntas não tinham sido previamente combinadas, o autarca respondeu às recentes críticas do vereador da CDU. Numa entrevista ao JN, Rui Sá afirmou que a transformação dos SMAS numa empresa municipal "poderá representar uma forma de jobs for the boys". O presidente da Câmara refutou as acusações, lembrando que foi Rui Sá quem encomendou o estudo para transformar os serviços numa empresa municipal.
Questionado sobre a sua polémica declaração sobre a "pouca colaboração da Polícia Judiciária (PJ) do Porto" no combate à corrupção, Rio adiantou que, depois disso, já conversou com o director nacional da PJ. "Acho que há condições para uma boa colaboração. Se calhar, a breve prazo isso já se poderá ver", disse, acrescentando que continua "altamente empenhado no combate à corrupção".