"As pessoas idosas têm direito à segurança económica e a condições de habitação e convívio familiar e comunitário que respeitem a sua autonomia pessoal e evitem e superem o isolamento ou a marginalização social", lê-se no 72.º artigo da Constituição da República Portuguesa. Pobres, sozinhos, doentes e indefesos é o que diz a realidade de grande parte dos anciãos de um país com quase dois milhões de idosos.
Hoje, o presidente Jorge Sampaio parte à descoberta de respostas sociais para este problema, dando a conhecer os casos e as boas soluções existentes, para estimular o aparecimento de novas. As "Jornadas sobre Envelhecimento e Autonomia", a decorrer até quinta-feira, defendem o "envelhecimento activo", ou seja, uma participação nas questões sociais, económicas, culturais, espirituais e cívicas, independentemente da capacidade física.
Para começar, "não existem respostas sociais mais ou menos adequadas para promover o envelhecimento activo, mas devem ser os próprios idosos a ter o direito de escolher as que mais se adequam às suas necessidades e, eventualmente, participar na criação de novas respostas". Como explica Natacha Lage, psicóloga clínica e especialista em Gerontologia, tudo começa pela "mudança de mentalidades e atitudes na nossa sociedade, em que os idosos são geralmente considerados como um estorvo".
"Mais voluntariado, Menos Solidão" é o nome do projecto, desenvolvido pela Misericórdia de Lisboa, que Sampaio apreciará, esta tarde, e que dá resposta a uma das necessidades mais prementes dos idosos, tal como testemunha Maria Helena (ver caixa na página ao lado). A solidão assim como a doença minam o tempo de vida. Um tempo que passa a correr lentamente, despido de emoções e novidades.
A passagem pelo Marco de Canaveses e pelo Centro Social de S. Martinho de Soalhães, amanhã de manhã, bem como a visita ao projecto "Ora Sénior Digital", em Ermesinde, à tarde; e a visita ao Centro de Dia da Misericórdia de Freixo de Espada à Cinta e à Casa do Povo de Vila Chã de Braciosa, depois de amanhã, deverão demonstrar isso mesmo ao presidente da República sem alegria de viver, não há qualidade de vida.