OGoverno vai avançar, em 2006, com a criação de um Vale Ensino Ciência e Tecnologia para ultrapassar o défice de estudantes no Ensino Superior, nas áreas científicas e tecnológicas. A medida, integrada no Plano Tecnológico, ontem aprovado em Conselho e Ministros e apresentado publicamente pelo Governo, passa por um sistema de créditos bancários a estudantes, cujo montante é parcialmente garantido, ou seja, bonificado pelo Estado.
"Nenhum aluno deve deixar de poder frequentar estes cursos por razões de índole económica", explicou o ministro da Economia e Inovação, na cerimónia de apresentação do Plano, que juntou mais de 400 convidados na antiga FIL, em Lisboa, e cuja execução vai ser assegurada, a pedido de Manuel Pinho, pelo gabinete do primeiro-ministro (ver texto na página seguinte). Os montantes e as condições em que o Estado vai ajudar os alunos mais carenciados não foram, contudo, revelados pelo ministro.
Organizado em três eixos - Qualificação, Ciência e Tecnologia e Inovação - o Plano Tecnológico, cujas metas devem ser atingidas em 2010, é para José Sócrates, que assumiu a "imodéstia", "a melhor ideia política dos últimos anos".
"Portugal precisava dessa ideia, que tem por detrás uma visão para o futuro e uma agenda política virada para o crescimento e a modernização do país", disse o primeiro-ministro, que sublinhou a importância da sua "execução". "A partir de agora, precisamos de 5% de estratégia e 95% de execução", afirmou, sublinhando que "todas as palavras para melhorar a situação económica do país estão ditas".
O chefe do Executivo prometeu que o Plano - que esteve para ser apresentado em Setembro e depois em Outubro, tendo sido atrasado por alegadas discórdias entre ministérios e pela demissão do seu coordenador - "vai ser a prioridade na afectação de recursos públicos nacionais e comunitários".