José Eduardo Moniz, director-geral da TVI, está decidido a dar tudo por tudo para manter a senda do sucesso de audiências no horário nobre, obtido muito por causa da novela "Ninguém como tu", que termina dentro de poucos dias. E para provar as suas intenções apresentou ontem a novela incumbida dessa difícil tarefa e que se chama "Dei-te quase tudo", cuja estreia deverá acontecer a cinco de Dezembro. "É a mais cara que alguma vez já fizemos", afirmou o responsável.
Em termos de elenco, a aposta traduz-se em nomes como Fernanda Serrano, Margarida Marinho, Luís Esparteiro, António Capelo, Maria João Luís, entre outros. Fernanda Serrano, que esteve cerca de ano e meio sem participar em novelas, resumiu, ao JN, o enredo da ficção "É uma história sobre as contrariedades da vida, do apego e desapego, dos encontros e desencontros, inspirada nesse fabuloso romance que é 'Romeu e Julieta'".
O ambicioso projecto da TVI foi gravado em locais como Angola, Porto, Lisboa e Aveiro, e tem duas dimensões temporais, pois a história inicia-se com o golpe de Estado do 25 de Abril de 1974, seguido da respectiva revolução. Em jogo vão estar também visões diferenciadas sobre o fim dos 48 anos de autoritarismo em Portugal.
Este acontecimento, com traições amorosas pelo meio, vai provocar uma cisão entre os irmãos Carlos e João Capelo (Luís Esparteiro e António Capelo). O tempo passa e cada um deles segue a sua própria vida, constituindo família e desenvolvendo as respectivas actividades profissionais. Recusam-se, porém, a admitir a existência um do outro, mesmo passados 30 anos.
Mas a vida tem destas coisas e a filha de Carlos, Joana Capelo (Vera Klodzig) apaixona-se por Rodrigo Monteiro (Pedro Granger), nem mais nem menos do que o filho adoptivo de João. Foi por pouco que esta novela falhou o primeiro amor entre primos da história da televisão portuguesa. De resto, a trama sobre o amor proibido por famílias desavindas já foi relatado há 500 anos, por Shakespeare, em "Romeu e Julieta", a obra referida por Fernanda Serrano, que faz de Ana Maria Capelo, uma médica nascida em Angola, que viu os pais morrer quando era criança.