Os comboios suburbanos, que representam mais de metade do total do tráfego, continuam a perder passageiros. Entre Janeiro e Setembro, o número de pessoas transportadas nestas linhas teve uma quebra de 1,3% face a igual período de 2004 . A informação divulgada ontem pelo Instituto Nacional de Estatística revela que nos transportes fluviais também há a registar um decréscimo da actividade, ao contrário do que sucedeu nos meios aéreo e marítimo e nas redes de metropolitano.
Nos primeiros nove meses deste ano, os comboios transportaram cerca de 112,3 milhões de passageiros, o que corresponde a uma diminuição de 1,5%. Esta quebra é atribuída à variação homóloga negativa de 1,3% verificada nos suburbanos. Esta tendência de quebra na procura deste meio de transporte por parte de quem reside à volta dos grandes centros urbanos não é inédita, estimando-se que uma grande percentagem destas pessoas se "transfere" para o modo rodoviário. Uma troca de algum modo inexplicável tendo em conta o aumento do preço dos combustíveis e do tempo gasto no percurso casa-trabalho nas vias mais engarrafadas.
Já os metropolitanos de Lisboa e do Porto registaram naquele período a tendência inversa. Isto é, transportaram 147,9 milhões de pessoas (mais 5,5%). No transporte fluvial, houve uma diminuição de 4,5%, sendo que as travessias do Rio Tejo (com 88% do movimento nacional de passageiros) foram as que mais contribuíram para esta queda.
Relativamente aos aeroportos, o INE contabilizou cerca de 18,4 milhões de passageiros (entre embarques e desembarques), o que corresponde a um acréscimo de 3,4%. Já na carga e correio houve uma diminuição de 1,8%, com o aeroporto de Faro a protagonizar a maior quebra (-16,6%). Na via marítima, das mais de nove mil embarcações que entraram nos portos portugueses, o tráfego internacional gerou 88,5% do total das mercadorias descarregadas e cerca de 62,5% das carregadas. Ao todo, foram movimentadas 38 mil toneladas em tráfego internacional e 8694 toneladas em tráfego nacional.
Lucília Tiago