As lesões musculares do membro inferior continuam na ordem do dia, por motivarem a ausência de alguns notáveis, como Simão Sabrosa (Benfica) ou Douala (Sporting), fundamentais no rendimento das respectivas equipas, num momento sensível da Liga profissional de futebol português. Na ribalta permanece, também, a hérnia inguinal do desportista, em tempos designada por pubalgia, por força da novela que tem envolvido o tratamento e a recuperação do guarda-redes Quim (Benfica) e, agora, o colega de equipa Manuel Fernandes.
Quanto a esta situação, importa referir o modo distinto como se posicionaram os responsáveis médicos do Benfica e médica especialista alemã Ulrich Muschaweck, que operou os dois jogadores do Benfica, num passado recente, e um outro, Nuno Gomes, uns meses antes. Enquanto Ulrich, numa atitude própria de um profissional moderno, fez questão de elucidar a comunicação social, dentro dos limites próprios do que é acessível à comunicação social e, através destes, aos leitores, sobre as dificuldades sentidas no processo de tratamento do jogador, o Benfica optou por colocar um manto de silêncio sobre o caso. Por certo, com a intenção de preservar o "grupo" de um qualquer interesse prejudicial e, por certo, mal intencionado…
Ulrich Muschaweck é a mesma médica que operou com sucesso diversos outros jogadores, entre os quais Nuno Gomes e, em tempos idos, o sportinguista Jardel. Com sucesso. Algo complicou o percurso do atleta Quim rumo à competição, sendo lamentável que a disponibilidade patenteada por Ulrich para a esclarecer tenha sido cerceada.
Curiosa é, também, a situação de Manuel Fernandes, que, operado no início de Julho deste ano, voltou à competição poucas semanas depois (13 de Agosto), mas que se vê a contas com uma recaída.
Importa acrescentar que a abordagem efectuada no tratamento dos jogadores do Benfica, que assentou numa reparação laparoscópica - apoiada em técnicas de imagem, minimizando a agressão cirúrgica local e permitindo um mais rápido retorno à competição - por contraponto com a técnica clássica (que implica a abordagem local e a reparação a céu aberto da lesão) -, a laparoscopia, dizia, nem sempre se revela a melhor solução.