OF.C.Porto pediu e Rui Rio acedeu. A autarquia portuense aprovou, ontem, uma proposta para abertura do processo de eventual classificação do Estádio do Dragão como imóvel de interesse municipal. O clube e a Euroantas (sociedade gestora do equipamento) fizeram o requerimento à Câmara em Março e, volvidos cerca de nove meses, o processo está em marcha. A vontade dos azuis e brancos foi acarinhada na autarquia e a proposta (do vereador da Cultura, Fernando Almeida), que o presidente da Câmara mandou agendar para a reunião de ontem, recebeu o consenso de todos os vereadores. É a primeira vez que Rui Rio e Pinto da Costa estão de acordo.
Trata-se de uma verdadeira excepção no historial polémico com o F.C.Porto desde que o autarca chegou à Câmara. Em quatro anos, os dois dirigentes somaram divergências em torno do Plano Pormenor da Antas, multiplicaram acusações mútuas e voltaram as costas.
Para este corte de relações terá sido decisivo o facto de Rui Rio não ter recebido nos Paços do Concelho os jogadores portistas nas noites em que se sagraram campeões nacionais e europeus (2004), quebrando a tradição. A festa fez-se na rua com as portas da Câmara fechadas.
A própria localização do novo estádio, construído para o Euro 2004, não escapou à polémica chegou a ser posta em causa pelo então vereador do Urbanismo, Ricardo Figueiredo, para quem "racionalmente um estádio para 50 mil pessoas, como o do Dragão, não tinha que estar no Porto". Podia sim, defendia Figueiredo, "ter sido construído num concelho vizinho".
Após um período de acalmia aparente, em Dezembro do ano passado, Rui Rio, durante um debate na Universidade Católica, atirou mais uma acha para a fogueira. Ainda que sem pronunciar o nome de Pinto da Costa, considerou que a realidade (o decurso do processo "Apito Dourado") lhe estava a dar razão e lembrou o caso de Gil y Gil e Bernard Tapie, dois ex-dirigentes de clubes estrangeiros, acusados de corrupção. Na resposta, Pinto da Costa garantiu que iria empenhar-se para que Rui Rio perdesse as eleições autárquicas. Não conseguiu e, um ano depois, as relações parecem mais serenas.