"Em Portugal, o fenómeno das 'netlabels' tem ainda pouca expressão. No entanto, 2005 foi um excelente ano para a sua divulgação, sobretudo graças à explosão de serviços como o iTunes". A constatação de Pedro Leitão, responsável pela Test Tube, uma das editoras on-line portuguesas, não é independente da previsão mais provável "Isto vai crescer exponencialmente".
Para já, o universo 'netlabel' "continua a ser familiar entre as pessoas ligadas ao meio musical, sendo ainda desconhecido do grande público", acrescenta Tiago Sousa, da Merzbau.
Esclareça-se 'netlabels', 'on-line labels' ou 'web labels' são distribuidoras de música em formato digital, maioritariamente em mp3, na Internet. A maioria disponibiliza os conteúdos gratuitamente - não há objectos físicos - e aposta em criações alternativas ao circuito discográfico tradicional voltado para o 'mainstream'.
Pode dizer-se que os serviços 'on-line' dedicados à música existem praticamente desde o aparecimento dos computadores pessoais. Contudo, o fenómeno das 'web labels' instalou-se a partir do momento em que o consumo de música em formato mp3 se popularizou, no final da década de 90. Entre os pioneiros, a nível mundial, constam a Kosmic Free Music Foundation, cuja actividade se prolongou entre 1991 e 1999, a Five Musicians, entre 1995 e 2000, e, a funcionar desde 1997, a Tokyo Dawn Records. Em Portugal, coube à Enough Records desbravar caminho.
"As 'netlabels' são fruto da revolução informática e apresentam-se como mercado alternativo ao da comercialização de mp3, uma vez que fazemos uma distribuição gratuita", afirma Tiago Sousa. "As próprias editoras multinacionais quiseram apostar neste mercado e algumas delas pretendem criar 'sublabels' para o lançamento de EPs e singles promocionais", acrescenta Pedro Leitão.