O antigo sanatório, em Francelos, Gaia, foi doado ao Estado pelo seu fundador, Ferreira Alves, para funções sociais. A sua importância histórica reúne consensos
As persianas corridas indiciam aban- dono, silêncio. O gigante com muitas janelas e portas, outrora casa de cura para muitos males ortopédicos, não tem vivalma à vista. Inaugurado em Agosto de 1917, o Sanatório Marítimo do Norte, em Francelos, Gaia, acolheu mais de três mil doentes até à morte do seu fundador, Joaquim Gomes Ferreira, 61 anos depois. O espaço foi então doado ao Estado, sendo vontade do benemérito que continuasse a ter utilidade social. Ainda hoje se discute se foi cumprida a determinação.
Atenta a apetites imobiliários para os terrenos anexos, que envolvem, também, a Clínica Heliântia, propriedade de uma instituição bancária e transformada em escola superior de Gestão, a Câmara de Gaia solicitou ao Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) a classificação dos dois imóveis como de interesse municipal.
O processo já rola, com a abertura do procedimento administrativo, e, até 7 de Fevereiro, aceitam-se reclamações. As intenções, porém, são bem claras não se mexerá num milímetro dos dois edifícios, espalhados por milhares de metros quadrados de terreno, sem aprovação da edilidade e do IPPAR.
"É nosso desejo que o conjunto formado pela sanatório e pela clínica venham a tornar-se, também, património nacional. Estamos a falar de uma área que deve ser preservada e protegida de qualquer adulteração", disse, ao JN, o vereador da Cultura e Turismo, Mário Dorminsky.