Acampainha a anunciar o fecho de escolas do 1.º Ciclo provocou um coro de lamentos. E de preocupações. Sindicatos e Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) mostram-se apreensivos e lembram ao Governo uma verdade comezinha o fecho das primárias terá de ser feito de forma gradual e casuística. "Com bom senso e planeamento", lembra Fernando Ruas, presidente da ANMP.
Na vida como no resto, não há receitas únicas. Quando se pretende encerrar escolas, os cuidados e preocupações devem ser redobrados. Isto é, não pode ser um qualquer burocrata sentado em Lisboa a decidir a sorte de milhares de crianças, na maioria, entre os 7 e os 10 anos, com a agravante de viverem em sítios isolados e dependentes dos horários dos transportes. As palavras encaixam como uma luva no pensamento de Mário Nogueira, presidente do Sindicato dos Professores do Centro "Não pode existir um receita única. O Governo quer fechar escolas em função dos custos económicos. Em vez da aritmética, deviam preocupar-se em dar respostas às causas".
Ao JN, o vice-presidente da FENPROF criticou a forma "aligeirada" como a diminuição do parque escolar está a ser seguida, muitas vezes no segredo dos gabinetes, com informação a conta-gotas. "Estamos perante uma feroz ofensiva. Não devia existir legislação a dizer que uma escola com menos de 20 anos deve fechar sem acautelar os interesses dos mesmos alunos na escola alternativa. Será que a futura escola está preparada para a socialização dos jovens? E estão assegurados os transportes e as refeições? E existem bibliotecas e professores suficientes para dar resposta à ocupação dos tempos livres das crianças?" .
Num país rural e envelhecido, a escola é o centro do mundo. Se fecha, parte desse mundo rui. José Dias da Silva, presidente da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) concorda com o "princípio geral" de fechar escolas com um aluno e um professor, mas chama o Governo ao quadro, para não se esquecer das milhares de crianças obrigadas a levantar cedo e chegar tarde e más horas a casa. Em causa, como é bom de ver, está em causa a fraca rede de transportes. "O importante é saber-se acautelar os interesses das crianças e a sua sociabilização. A mudança dos alunos para outras escolas terá de constituir uma mais-valia para os jovens estudantes".
Por outras palavras, mas tendo como pano de fundo as mesmas preocupações, falou o professor Paulo Teixeira de Sousa, da Direcção do Sindicato dos Professores do Norte "Esta medida (o fecho de 900 escolas na Zona Norte do país) não vai resolver nada. À primeira vista, pode ser positiva. Em termos de comunidade, é negativa. A escola, emmuitos locais, é o centro da terra e da aldeia. Por isso, cada caso é um caso".