Adeficiente aplicação do método de Hondt nas eleições autárquicas de Outubro teve influência nos resultados de 14 freguesias e de uma assembleia municipal. Esta é apenas uma pequena parte dos problemas detectados na atribuição dos mandatos autárquicos, divulgados, ontem, pela Comissão Nacional de Eleições. Noutras 53 assembleias de freguesia, 22 assembleias municipais e uma câmara, os erros não tiveram influência no resultados.
A conclusão da Comissão Nacional de Eleições resulta da análise das actas das 308 comissões eleitorais prévia à publicação dos resultados finais em "Diário da República". Recorde-se que as comissões são presididas por um juiz e constituídas por um matemático e delegados das listas concorrentes, funcionam nas autarquias e são automaticamente extintas assim que produzem a acta com o apuramento dos resultados e respectiva atribuição de mandatos.
Qualquer erro detectado na atribuição apenas pode ser corrigido se for reclamado num prazo de 24 horas após o acto eleitoral. Ou seja, os problemas agora detectados pela CNE não terão qualquer consequência, até porque os candidatos já tomaram posse.
Entre os erros detectados e que tiveram influência nos resultados, destaca-se um na Assembleia Municipal de Ponta Delgada, já que todos os restantes 14 casos se verificaram em assembleias de freguesia. Tratam-se das freguesias de Guetim (concelho de Espinho), Mesão Frio (Guimarães), Campolide (Lisboa), Reguengo Grande (Lourinhã), Covelas, Mesquinhata e Santa Maria do Zêzere (Baião), Fazendas de Almeirim (Almeirim), Moledo (Caminha), Calvelo (Ponte de Lima), Vilarinho das Paranheiras (Chaves), Celeirós (Sabrosa), Chãs de Tavares (Mangualde) e Póvoa de Penela (Penedono).
Os erros sem influência nos resultados são em número substancialmente superior, envolvendo 53 assembleias de freguesia, 22 assembleias municipais e até uma câmara municipal, no caso o concelho de Gavião, em Portalegre.