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Cavaco promete trabalho

Publicado

Isabel Teixeira da Mota
 

O pano do pequeno auditório do Centro Cultural de Belém abriu-se às 22.36 horas. No palco, um púlpito, 10 bandeiras de Portugal ordenadas em fila e um fundo azul-céu compunham o cenário. Fez-se silêncio entre os presentes - que eram, na maior parte, jornalistas, mas também a família Cavaco Silva e vários convidados. Entraram, primeiro, o mandatário nacional, João Lobo Antunes, a mandatária para a juventude, Kátia Guerreiro e o director de campanha, Alexandre Relvas. Segundos depois, em passo lento e seguro, entraram Maria e Aníbal Cavaco Silva. O casal caminhou junto até se separar perto do púlpito reservado para a declaração de vitória do presidente da República eleito. "A minha primeira palavra é de saudação. Quero saudar todos os portugueses pelo elevado sentido cívico que mais uma vez demonstraram neste acto eleitoral".

O candidato chegara ao CCB por volta das 22 horas, vindo de casa, onde só com a família assistira à noite eleitoral. No CCB, o acompanhamento dos resultados fora morno. À excitação inicial, consequência das primeiras projecções, seguiu-se um ambiente contido e um período de indefinição sobre se a vitória à primeira volta estaria garantida.

"Este combate termina hoje aqui", disse Cavaco. "A minha vitória não é a derrota de ninguém porque é apenas a escolha legítima, livre, dos portugueses para os próximos cinco anos". O candidato eleito dirigiu-se ao país dizendo "Portugueses". "A eleição presidencial termina aqui. Também neste exacto momento se dissolve a maioria que me elegeu. Quero ser, e serei, o presidente de todos os portugueses". Estava feita a superação da maioria que o elegeu, uma maioria de 50,6% arrancada à tangente.

O agradecimento aos dois partidos que o apoiaram foi a recompensa pelo papel apagado que foram obrigados a ter. "Não posso também esquecer, e quero sublinhar, o apoio que o PSD e o CDS-PP decidiram conceder-me, sempre compreendendo que a minha candidatura era pessoal e suprapartidária". Sentados nos primeiros lugares da plateia, Luís Marques Mendes e José Ribeiro e Castro receberam o cumprimento. Os adversários na corrida foram, pela primeira vez, referidos, cada um, pelos nomes. À omissão constante durante a campanha, seguiu-se ontem a saudação aos derrotados.

Em seguida, Cavaco Silva sublinhou que "não é pequena a tarefa" pela frente. "O trabalho será longo e exigente", disse, salientando o facto de com esta eleição se encerrar "um longo ciclo eleitoral". Seguidamente vieram alguns recados. O candidato eleito disse como irá exercer o mandato - "com uma fé inabalável na liberdade e na democracia" - e avisou que, para ele, "a democracia, muito par além da alternância no poder, é um código moral". E continuou "No centro das minhas atenções estarão sempre os que valem menos, aqueles cuja voz é menos ouvida" e "serei sempre exigente na observância da ideia de que em democracia o Estado não é um feudo dos que ganham. Tem que ser uma entidade ao serviço de todos, um agente activo na criação de condições de justiça social".

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