"Estarei pronto para dar voz à cidadania e participar em novos combates, em novas causas". Foi com este recado ao Partido Socialista que Manuel Alegre terminou o seu discurso, ontem à noite, após reconhecer e lamentar a derrota da Esquerda, enjeitando, no entanto, quaisquer responsabilidades por esse desaire eleitoral.
Até muito próximo das 22 horas, os apoiantes da candidatura presidencial de Manuel Alegre ainda acreditavam ser possível uma passagem à segunda volta. Às 20.40 horas, Luís Moita, porta-voz do deputado e poeta, dizia que estava tudo em aberto, mas já deixava a porta aberta para um possível derrota, justificando que "alguns serão tentados a fazer a leitura de que a divisão da Esquerda facilitou a eleição do candidato de Direita", mas "a nossa leitura não é essa. A Esquerda é plural. Como disse Manuel Alegre, os votos à Esquerda não dividem, somam".
Às 21.25 horas, José Manuel Mendes, presidente da Associação Portuguesa de Escritores e apoiante de Alegre, admitia a derrota, mas lançava um aviso carregado de intencionalidade política "De ora em diante, nada será como dantes. Há um poder da cidadania que desperta".
Quando Mário Soares se preparava para intervir, às 21.34 horas, e todas as sondagens lhe atribuíam o terceiro lugar, alguns apoiantes de Manuel Alegre aproveitaram para lançar "farpas" ao ex-presidente da República, com algumas afirmações impublicáveis e outras mais suaves, como esta "Acabou-se o soarismo!".
Quando Alegre entrou na sala principal da sede de candidatura para reconhecer a derrota, alguns apoiantes entraram em delírio, batendo palmas e gritando pelo nome do candidato independente. Mas outros houve que não contiveram a emoção e lançaram-se num choro de profunda amargura.