Manuel Alegre passou o dia de ontem a descansar, junto da família, e a brincar com os netos. "A tirar prazer daquilo que, infelizmente, já não fazia há muito tempo", conforme confidenciou ao JN. Sobre o futuro do PS, o deputado e vice-presidente da Assembleia da República nem quis ouvir falar. Muito menos conversar sobre o seu próprio futuro dentro do partido. No entanto, alguns dos socialistas que lhe são próximos avisam que Sócrates não poderá ignorar o peso político do candidato a Belém.
Alegre recusou informar se vai reassumir o lugar no Parlamento e, em caso afirmativo, quando o fará; remeteu também para mais tarde uma decisão sobre a sua ida ou não à reunião da Comissão Política Nacional (CPN), que deverá acontecer nos próximos dias; e apenas confirmou que promoverá, a curto prazo, uma reunião da comissão da candidatura, para fazer um balanço e decidir o futuro.
Já Helena Roseta, apoiante do poeta, não hesitou em afirmar, ao JN, que "se alguém fez mal o seu serviço, nestas eleições presidenciais, foi o PS, porque o candidato oficial do partido é que não chegou lá. Alegre, pelo contrário, esteve quase a conseguir a segunda volta".
Jerónimo Silva, da CPN e um dos mais destacados apoiantes de Alegre, considera que se "o PS se abrir a novas pessoas, poderá recompor-se e crescer. Caso contrário, os portugueses deixam de acreditar nele".
O militante de Braga defende, tal como Helena Roseta, que "um congresso antecipado é um disparate" e "só fazia sentido se os apoiantes de Alegre fizessem finca-pé e armassem confusão. Mas isso não acontecerá".