Os ânimos exaltaram-se, ontem, durante uma nova operação de demolições na Azinhaga dos Besouros, Amadora. O braço-de-ferro entre moradores que tentavam travar a demolição e a Polícia agravou-se quando se ouviram disparos de caçadeira vindos do interior do bairro.
O aparato começou bem cedo, já que os avisos de despejo colocados nas portas dos moradores davam conta de que os trabalhos começariam às 8 horas, em cinco barracas do bairro. Os moradores e elementos da associação Solidariedade Imigrante reuniram-se, logo cedo, numa das ruas com ligação à estrada, para tentar impedir o avanço das máquinas.
Adriana Correia, uma das moradoras que recebeu o aviso da Câmara para retirar todos os seus pertences do interior da casa, garantia que mesmo que a Polícia usasse da força não tinha nada a perder. "Eles que venham, porque eu não saio", afirmava. Foi com este espírito que se manteve dentro da sua casa, acompanhada por membros da associação.
Com a chegada da PSP ao local começou a aumentar a tensão entre os cerca de cem manifestantes e os agentes, que formavam um cordão de forma a criar condições para o avanço das máquinas. Um grupo de moradores manteve-se no telhado de uma das barracas a demolir e os elementos da PSP usaram da força para retirar de lá os manifestantes. O caos instalou-se numa das ruas estreitas do bairro e uma mulher teve um ataque de epilepsia, tendo acabado por ser transportada para o hospital Amadora/Sintra. Nesse momento, a Polícia deteve um jovem por, alegadamente, ter atirado um ferro a um grupo de pessoas.
Mais tarde, quando chegou um reforço de efectivos do Corpo de Intervenção da PSP, foram atiradas pedras e ouviram-se alguns disparos vindos do interior do aglomerado de casas que ainda não foi demolido, ao que "a Polícia respondeu com dois tiros com balas de borracha", adiantou a subcomissária Ana Nery Correia, comandante da divisão da PSP da Amadora.