OPS rejeitou a continuação das audições propostas pela Oposição na comissão de inquérito ao caso Eurominas, o que suscitou a indignação dos outros grupos parlamentares, que dizem haver ainda aspectos por esclarecer.
Os socialistas, maioritários na comissão, votaram contra uma proposta conjunta do PSD, CDS, PCP e BE para que fossem ouvidas cinco outras personalidades, entre as quais o ex-secretário de Estado Consiglieri Pedroso, o ex-chefe de gabinete de António Vitorino, Jorge Dias, e Luciano Patrão, líder do grupo de trabalho entre o Estado e a Eurominas.
O deputado socialista Ricardo Rodrigues, citado pela Lusa, justificou que a comissão dispõe de "todos os elementos processuais solicitados" e já ouviu os responsáveis pelas decisões políticas tomadas, devendo cingir-se a estes e não alargar a audição a "técnicos e assessores", sob pena de ultrapassar o prazo dado à comissão para chegar a conclusões. Assim, os trabalhos devem ser suspensos por dois a três dias, para aguardar o envio de documentos pedidos que ainda estão em falta. Se a análise destes não suscitar a necessidade de ouvir responsáveis políticos, deve avançar-se para o relatório final.
Os socialistas rejeitaram ainda um requerimento de novos documentos apresentado pelo PSD subscrito pelos restantes grupos parlamentares.
O social-democrata Luís Rodrigues reagiu com indignação, abandonando mais cedo os trabalhos, depois de acusar os socialistas de "não deixarem prosseguir" o inquérito, "porque os depoimentos não correram de feição". E concluiu que a posição socialista "assina a certidão de óbito da comissão de inquérito". Mota Soares, do CDS, disse que os nomes sugeridos para audição eram "absolutamente essenciais" e sem isso "não é possível apurar cabalmente a verdade do processo".