Apesar do sector estar a enfrentar as adversidades da crise, a Adega Cooperativa de Ponte de Lima conseguiu, em 2005, escapar a um quadro negativo, afirmou o administrador, Adolfo Azevedo, que defende que as adegas da região deveriam promover maior colaboração.
"Os números ainda não são oficiais, mas a expectativa é que as contas resultantes do exercício do ano passado estejam equilibradas. Da mesma forma, calculamos que tenhamos obtido um aumento de cerca de 10% nas vendas em relação a 2004".
O administrador apontou alguns dos problemas que o sector enfrenta "Por um lado, o consumo tem vindo a baixar e, por outro, há um aumento da produção, o que provoca uma maior dificuldade de escoamento do produto". Segundo Adolfo Azevedo, "isso implica que as adegas tentem reduzir custos, o que se reflecte na desvalorização da uva, penalizando os agricultores". Outro factor apontado para o decréscimo generalizado do consumo de vinho "é a margem de lucro que os restaurantes levam fazendo com que os clientes se retraiam na hora da escolha". Acresce-se ainda questões culturais: "raramente vemos jovens a beber vinho à refeição, mas nunca os vemos a beber fora delas, como acontece na Galiza, onde o vinho acompanha petiscos". Na perspectiva portuguesa, "beber vinho nessas alturas fica mal".
O vinho verde tem também especificidades que acrescem os problemas. "É um vinho novo, o que é uma desvantagem, pois ao contrário de outros, tem de ser bebido no mesmo ano da colheita, o que provoca uma grande limitação de comercialização", salientou o administrador da adega cooperativa limiana. Também o vinho verde é considerado um vinho fresco, devendo-se tal à sua acidez, o que no tinto dificulta a sua implementação "Dificilmente se exportará e sairá da região dos vinhos verdes, dadas as suas características", considerou, a propósito, Adolfo Azevedo.
Quanto ao vinho branco, "existe potencial, mas é preciso uma forte acção de marketing, algo que não pode ser efectuado, devido aos custos".