O primeiro par de sapatos - dos mil que a Junta de Freguesia de Maximinos está a oferecer a famílias mais carenciadas da freguesia - foi parar aos pés de Carlos Abílio, 67 anos, reformado, que, por sinal, já não comprava calçado há mais de dois anos. Os que tinha calçados até já estavam rotos e a precisar de reforma. "Obrigado, senhor presidente. Você é um amigo", foram as palavras sentidas do sexagenário, cujo rosto pesado da velhice deu lugar, por instantes, a sorrisos e a alegria contida.
Também Maria da Conceição, a caminho dos 84 anos, teve a sorte de levar uns sapatos ortopédicos, pois considera-se uma "sofredora" dos calos. "Andava a precisar há muito tempo duns sapatos como estes, pois mal posso andar com as dores nos pés", disse.
Logo no primeiro dia da oferta de calçado, incluindo meias e collants, para todos os escalões etários, foram muitas as pessoas - cerca de uma centena - que passaram pela Junta de Freguesia de Maximinos. Uma iniciativa que João de Magalhães, o autarca local, classificou como um "gesto de solidariedade" para com os mais desprotegidos. "Maximinos vive um grande problema social, que é o elevado número de famílias sem suporte económico".
Já em 1997, João de Magalhães havia distribuído cerca de 300 electrodomésticos (frigoríficos, fogões e ferros eléctricos) e roupa por famílias pobres da freguesia, e, mais recentemente, aquecedores pelas escolas e instituições de solidariedade social.
Aquele trabalho humanitário levou já a autarquia a avançar com a criação da associação "Maximinos Solidário", que entrará em funcionamento dentro de dois meses. Estima-se que, em Maximinos, a pobreza atinja cerca de duas mil pessoas e, no concelho de Braga, tal número possa chegar aos 15 mil, segundo uma estimativa da Rede Social de Braga. Até ao momento, o Gabinete de Acção Social identificou cerca de 600 pessoas em "pobreza extrema" nas 62 freguesias do concelho.