João Paulo, 37 anos, homossexual, garante que vai hoje a Lisboa ver a petição para o direito ao casamento civil a gays e lésbicas ser entregue na Assembleia da República (AR). "São, com certeza, mais de seis mil assinaturas", avança. O editor do Portugalgay.pt está "cansado de ser cidadão de primeira para pagar impostos, mas de segunda no que toca a direitos".
Do mesmo lado e a seu lado, Filipe, o companheiro, com sensivelmente a mesma idade e professor universitário, explica que "isto não quer dizer que os gays queiram casar", antes "querem o direito a casar". Ou seja, "da mesma forma que os casais heterossexuais têm opção, os homossexuais também a querem. É, acima de tudo, o direito a... É ter os mesmos direitos porque existem as mesmas obrigações", reitera.
Juntos há 10 anos, o casal garante que casaria se fosse possível. Até por "uma questão prática", afirma Filipe. João conta que quando Filipe foi operado pôde visitá-lo no hospital "porque conhecia pessoas amigas". Caso contrário, e se os pais de Filipe não gostassem de João, "as visitas poderiam ser vedadas", lamenta.
Basicamente, "não há grande respeito por um amor diferente", acrescenta Filipe. E exemplifica "No passado Dia dos Namorados, houve um programa na televisão que convidou três casais, mas nenhum era homossexual".
A discriminação não se fica pelo pormenor e não são raros os ataques violentos a homossexuais, "só porque dormem com uma pessoa do mesmo sexo", diz João Paulo.