Ermelo e Rio Frio são duas freguesias de montanha, afastadas do centro da vila de Arcos de Valdevez. Em comum, têm o facto de terem dois produtos que foram integrados no catálogo da fundação italiana "Slow-Food", integrando, assim, o reduzido leque de alimentos com estatuto de "melhores do mundo". Nas aldeias, o facto é encarado como quem sempre soube da qualidade do que ali se produz. A diferença está na esperança de aumentar o negócio, apesar de se saber que a qualidade obrigará sempre a impedir a produção em grande escala.
"Talvez agora os portugueses descubram os bons produtos que temos, porque os espanhóis já nos descobriram há muito", disse Joaquim Dantas, de Rio Frio que, apesar de desde sempre se lembrar de fazer broa, só há cerca de quatro anos se dedica à sua cozedura com fins comerciais. No Ermelo, Maria Rosa Preto, confirma "É uma autêntica romaria ao domingo. Deixam os carros lá em baixo, na estrada, e sobem o caminho para vir comprar laranjaa. Vêm muitos espanhóis e, às vezes, até são eles que a apanham", diz. Entre tantos clientes, a mulher, de 73 anos, tem alguns que já são "certinhos". É o caso de um espanhol que tem um restaurante e "compra laranjas para fazer sumo".
Para apanhá-las, há que subir uma encosta a pique, "um caminho que devia ser de alcatrão pois ajudava muito as pessoas que têm de subir e descer a encosta carregadas, sempre com medo de escorregar nas pedras", diz em jeito de recado à autarquia.
O quilo da laranja é vendido a 50 cêntimos, e "quase não dá para o trabalho que dá carregá-la", diz, assegurando que o rendimento anual não passa os mil euros. "Viver só da laranja? Nem pensar!" afirma rindo.
Rosa Maria Preto tem 40 laranjeiras que dão todo o ano, mas a melhor época é a partir de Março até ao final do Verão, altura em que "ficam doces como açúcar ou mel".