São completamente diferentes, os lenços de namorados de Amares, dos vizinhos de Vila Verde enquanto naqueles predomina uma panóplia de cores, em Amares, são o vermelho e preto que fazem as honras dos tecidos. A redescoberta desse produto tradicional, por Elvira Araújo, responsável pelo ensino recorrente no concelho, vai levar à criação, este ano, da Associação de Bordadeiras de Amares Unidas (BAÚ).
As toalhas de Páscoa, de dar águas às mãos, os jogos de cama e as almofadas com motivos amarenses estão também no projecto.
Na base da ideia estão os cursos de formação na área dos bordados do ensino recorrente "De todas as ofertas de formação disponibilizadas pela educação de adultos, a que tem tido maior adesão é a de cursos de bordados". Em 12 anos de ensino recorrente, já passaram pelos cursos cerca de duas mil mulheres, "um suporte sólido para avançar com a associação".
Só nesta altura, há cerca de 150 mulheres em todo o concelho a aprender a bordar. Rosalina é uma delas. Fez o ensino recorrente até ao 6º ano "Estou arrependida de não ter continuado até ao nono, mas achei que, naquela altura, a vida não me ia proporcionar a continuação, afinal…". Com mais idade do que a que aparenta, revela que o segredo "é uma pessoa não se acomodar". No caso dela, há também a parte emocional: "Os meus filhos estão no Canadá e, para não ficar a chorar pelos cantos, faço coisas: hidromassagem, cursos de bordados, vou ao cinema e ao teatro ao Porto e a Lisboa, se for preciso".
O presidente da Junta de Ferreiros, freguesia onde decorre um dos cursos, reconhece "a importância para a auto-estima e valorização das mulheres" a frequência dos cursos. "Para Ferreiros é bom, porque é, também, um factor de desenvolvimento", revelando António Januário que, dos cofres da Junta, saiu dinheiro para mais dois meses de curso além dos três habituais "Ganhámos um brasão feito à mão e com os motivos dos lenços dos namorados, e vamos organizar uma exposição com os trabalhos feitos".