De tempos a tempos, os grandes culpados da falta de qualidade de vida nas cidades são os carros. Depois… a coisa passa! E nem é preciso fazer muito. Passa e pronto. Claro que ninguém dispensa tal objecto e, por isso, quem o não tem, não descansa enquanto o não obtém. Claro que é um vício privado tê-lo e amá-lo e uma pública virtude odiá-lo.
Evidentemente que tudo tem um preço e, por vezes, esse preço até é muito alto. Mas isso não importa, se a contrapartida for, como é, também, muito alta. Ter um carro, brilhante, moderno, arrojado, exclusivo, charmoso, é meio caminho andado para a felicidade.
É pouco, muito pouco, mas pouco mais nos resta, nos dias que nos restam. Bem podem ameaçar aumentar-lhe o preço, o imposto, o combustível, o seguro, a portagem, o estacionamento, a manutenção, as peças, a lavagem, a garagem ou o que quiserem, que o que eu quero é aquele bicho de olhos felinos daquele anúncio gigante que me deixa louco e… pronto.
Neste momento, o assunto não é assunto do dia! Seja lá porque razão for. A verdade é que os carros só são notícia quando, por qualquer razão, causam incómodo e, portanto, pelas piores razões. Ou porque se atropelam uns aos outros em ruas estreitas e congestionadas, ou porque poluem o ar e esgotam a paciência dos cidadãos que quando não estão dentro deles se transformam em ecologistas empedernidos.
No entanto, os carros voltam a ser notícia mas, agora, parece, por razões melhores! Ou seja há menos carros na cidade, o que não quer dizer que não haja sítios na cidade onde ainda se juntam aos milhares fazendo aquilo que os carros fazem quando se juntam: engarrafam e param tudo. A este facto não é estranho o metro, que também já começou a fazer estragos entre os carro-dependentes, ou seja, já começou a tornar sensível a diminuição do número de automóveis que circulam e estacionam por certas zonas da cidade. E essas zonas são, sobretudo, as que são servidas pelas linhas de metro que entraram já em funcionamento regular.