Se a variedade é cada vez mais a tónica do Fantas, essa é uma característica transversal a todas as secções do festival, incluindo as competições de Cinema Fantástico e Semana dos Realizadores. Se prova fosse necessária que não só de 'gore' e 'zombies' se faz o festival, não seria preciso olhar mais além do que "The other half", de Marlowe Fawcett e Richard Nockles, uma comédia que tem como pano de fundo Portugal e um Verão que deixou um travo agridoce nas gargantas de muitos o Euro 2004. No caso concreto, a obra de estreia de Fawcett conta como o futebol pode interferir com uma lua-de-mel e, com esta premissa, ninguém disputará que estamos de facto em terrenos que, para a noiva pelo menos, tocam as franjas do terror.O filme atravessa as três cidades da romaria que seguiu a selecção inglesa: Faro, Coimbra e Lisboa - com os bardos acampados na Praça a tomar conta do leão ao Marquês.
Outros títulos porém corroboram a tendência de absoluta pluralidade estilística do Fantasporto. "Zulo", do espanhol Carlos Martin Ferrera faz uma incursão pelo cárcere sádico em tom de metáfora aos limites humanos da sobrevivência; "Frostbitten", de Anders Banke, ajuda a cumprir a quota de vampiros nas terras geladas da Suécia; e "Johanna", de Kornél Mundruczó, realizador que integra igualmente a retrospectiva dedicada ao cinema húngaro, aborda o amor redentor de uma toxicodependente.
Todavia, os firmes famintos de 'zombies' também aqui encontram o seu sítio certo. Em "Dead meat", de Connor McMahon, há mortos-vivos e canibalismo; "A quiet love", do alemão Till Franzen, incorre pelo romance com duas histórias de amor literalmente, mas não irremediavelmente, separadas pela morte; e "Spirit trap", de David Smith, fornece a casa assombrada da praxe.
Na Semana dos Realizadores, espreitam outros tantos promitentes. A merecer especial atenção está "Edison", thriller de David Burke com Kevin Spacey e Morgan Freeman; "Incautos", do espanhol Miguel Bardem; "Dominó", o mais recente de Tony Scott; "Hamster cage", de Larry Kent; e "Cazuza", 'biopic' de Walter Carvalho sobre a trágica vida do vocalista dos Barão Vermelho que morreu de sida - uma "love estória", como diria o brasileiro Bruno Barreto.
O cinema indiano tem pouca projecção internacional e, como tal, muita gente desconhece que em Bombaím reside a maior indústria cinematográfica mundial (daí a apropriada designação Bollywood). Não fosse por títulos como "Casamento debaixo de chuva" e o género seria virtualmente desconhecido em Portugal. O fantas recupera este ano 20 exemplares deste cinema.