Nuno Miguel Maia e Nuno Silva
Onze dos 13 menores suspeitos do envolvimento na morte de um travesti, no Porto, foram enviados para centros educativos um deles ficará em regime fechado e os restantes em semiaberto. Um regressou à instituição de acolhimento e outro ficou sem qualquer medida cautelar, com os pais. Já o jovem de 16 anos, interrogado no Tribunal de Instrução Criminal do Porto, irá aguardar julgamento em prisão preventiva na cadeia de Custóias, indiciado pelo crime de ofensa à integridade física grave agravada pelo resultado.
A s decisões relativas aos rapazes com idades entre os 13 e os 15 anos foram tomadas, ontem, pelo juiz do Tribunal de Menores, Jorge Santos, e anunciadas ao início da noite. Segundo o JN apurou, alguns dos jovens interrogados confessaram a prática de agressões violentas continuadas e mesmo de sevícias a Gisberto - a vítima. Enquanto alguns dos rapazes mantiveram-se em silêncio, outros terão admitido inclusive actos de agressão sexual com um pau, chegando mesmo ao ponto de amordaçar e infligir queimaduras ao homem. Ao que apurámos, quando o cadáver foi retirado ainda haveria alguns sinais disso.
As agressões, que terão envolvido cerca de uma dezena de jovens, terão ocorrido durante pelo menos dois dias (sábado e domingo), envolvendo pedras e paus, mas o corpo terá sido lançado para o fosso apenas na terça-feira, ou seja, no dia anterior à sua retirada do local por parte das autoridades. O travesti, um brasileiro de 45 anos, estava com as calças em baixo e era visível uma grande ferida em redor de uma nádega.
Ontem, os resultados da autópsia ainda não eram conhecidos. O corpo continua depositado nas instalações do Instituto de Medicina Legal do Porto e não apareceu qualquer familiar para o reclamar. O funeral será suportado por um grupo de travestis, que está a levar a cabo uma campanha para promover a trasladação para o Brasil (ler página seguinte).