O Governo assumiu ontem o compromisso de construir uma ligação ferroviária entre Porto-Vigo em velocidade elevada - até 220/250 quilómetros/hora. Para o efeito, está em curso a realização de um novo estudo que deverá estar concluído até ao final do ano e custará 200 mil euros. Quanto a datas, a conexão deverá estar a funcionar em 2015 e não em 2009, como inicialmente se previa.
"O que estamos a fazer não é mais um estudo. É um projecto sério ajustado às realidades", precisou, ontem, a secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, em Santiago de Compostela, a propósito do "projecto estruturante" da linha ferroviária Porto-Vigo.
Não é um TGV, antes um comboio de velocidade elevada, uma espécie de "Alfa" pendular da linha Porto-Lisboa, idealizado para servir as ligações do Noroeste Peninsular. Se a Comunidade de Trabalho Norte de Portugal-Galiza sustentar a rentabilidade económico-financeira da exploração e os governos de Portugal e Espanha o aprovarem, então será possível sonhar e acreditar na revitalização deste eixo vital para o incremento das trocas comerciais transfronteiriças.
Por outras palavras foi esta a tese sustentada pelo presidente da Junta da Galiza, Emílio Péres Touriño que, ao intervir na cerimónia de transferência da presidência da comunidade (assumida pelo próprio Touriño), considerou a modernização da linha ferroviária como "uma poderosa ferramenta estratégica" para o desenvolvimento entre as duas regiões vizinhas.
Antes, Carlos Lage, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Norte, lembrou as potencialidades da euro-região - onde vivem e interagem cerca de 6, 3 milhões de pessoas - e a necessidade de, finalmente, as palavras cederem aos actos. "Depois dos competentes e rigorosos estudos, importa fixar um calendário concreto e pô-lo na hierarquia devida", sublinhou.