Fechada para o exterior desde que se soube que 11 menores que acolhe poderão estar envolvidos no homicídio de um travesti, a Oficina de S. José, instituição tutelada pela Diocese do Porto, está, agora, obrigada a dar respostas. Assim determina o bispo, D. Armindo Lopes Coelho, que ordenou a instauração de um inquérito para apuramento de "eventuais violações das normas e do regulamento internos". Ou seja, procuram-se, em 20 dias, explicações para falhas. Enquanto isso, a maioria dos menores vê o seu destino mudar deixam de ser crianças em risco, passam a delinquentes juvenis.
A Diocese deu conhecimento da medida decretada ontem, quatro dias depois do cadáver de um homem, travesti, sem-abrigo e toxicodependente ter sido resgatado de um poço com cerca de dez metros, num parque de estacionamento, na Avenida de Fernão de Magalhães, no Porto.
A demora para uma tomada de posição por parte da Igreja Católica teve a ver com "uma dificuldade" durante dois dias, "foi impossível contactar responsáveis" pela Oficina de S. José, dirigida pelo padre Alberto Tavares, com 80 anos. Só anteontem, o porta-voz da Diocese, Américo Aguiar, conseguiu entrar na instituição que se tornou, para os jornalistas, território proibido.
Até os telefones são desligados na cara de quem tenta obter esclarecimentos, sobretudo quando crescem rumores sobre um possível mau funcionamento interno e quando responsabilidades são apontadas a quem dirige o centro de acolhimento.
"Temos de ver que a Oficina de S. José é uma instituição centenária, que tem responsáveis com idade avançada e que, possivelmente, estarão assustados com o que aconteceu. O que se pretende apurar é se as regras foram quebradas e, se foram, porquê", disse, ontem, ao JN, o padre Américo Aguiar.