Oque fazem centenas de jovens, a maior parte mulheres, à entrada do Instituto Superior Politécnico de Gaia, por volta das oito horas da manhã? O que faz Carla Alexandra, sentada naquela cadeira minúscula, contorcendo os dedos, nervosa, à medida que olha de esguelha os três outros jovens que pre-enchem umas fichas verdes de inscrição? Todos eles, sem excepção, querem integrar os futuros quadros da nova loja do "El Corte Inglés", que abre portas, em Gaia, na segunda quinzena de Maio. Uns ficarão pelo caminho; outros - do rol de mais de 20 mil candidatos contabilizados - já começaram a aprender as técnicas de atendimento e venda a clientes.
Primeiro, formaram-se os chefes de secção e de serviços. Em Fevereiro, começou a formação da Manuela, da Inês, da Sandra, do António, do Miguel, e de tantos outros futuros vendedores, operadores de alimentação e restauração, do novo "El Corte Inglés". Ao todo, 980 pessoas, de uma lista de 1500 a admitir nos próximos dias.
"Esta formação, inicialmente em sala de aula, depois em loja e complementada com visitas de estudo a empresas, pretende facultar aos formandos um conhecimento aprofundado de técnicas de venda, de cultura de empresa, de conhecimento do produto, de gestão e administração", explica o psicólogo e responsável pela área de Formação, Nuno Carvalho. "Acima de tudo", esclarece, "queremos colaboradores que sigam à risca três critérios bom atendimento, bom serviço, boa garantia". É que no "El Corte Inglés" cada trabalhador deve funcionar como no comércio tradicional: "Através de uma relação próxima com o cliente". Mas, para isso, é preciso apostar na formação, a menina dos olhos do grupo espanhol. De tal forma que, só para esta leva, a empresa decidiu investir mais de 15 milhões de euros. "A política da empresa passa pela formação contínua, distinta de todas as outras. Aqui escolhemos os melhores e formamos profissionais, o que, infelizmente, não acontece noutras empresas", comenta o responsável.
Até ao momento, o "El Corte Inglés", com o apoio do Instituto do Emprego e Formação Profissional, já seleccionou mil pessoas, das 1500 necessárias, para começarem a trabalhar em Maio. Grande parte são mulheres - cerca de 65% -, com idades a rondar os 28 anos, vindas sobretudo do Grande Porto. Mas todos os dias, diz Nuno Carvalho, o departamento de Recursos Humanos recebe à volta de 250 candidaturas. O que não implica que as inscrições estejam para encerrar. "Uma empresa como esta tem sempre lugares para preencher", abona Nuno Carvalho, antecipando que na calha está também a abertura, nesta região, de um "Supercor", cadeia de supermercados do grupo espanhol.
Carla Alexandra, 27 anos, natural de Vila Nova de Gaia, estava à espera que o centro de emprego a chamasse para trabalhar quando ouviu falar das "convocatórias" para o "El Corte Inglés".