Obispo do Porto foi alertado, em Novembro de 2004, pelo Conselho Executivo (CE) da Escola Secundária Oliveira Martins, para a situação de risco e abandono a que estavam votados os adolescentes institucionalizados na Oficina de S. José, no Porto. Um pouco mais de um ano depois, sem qualquer resposta por parte da Igreja, os adolescentes estão a ser investigados pelas agressões brutais e morte violenta de um transsexual, numa garagem abandonada do Porto.
"O que é que se passa numa instituição onde os miúdos não adquirem valores?" A dúvida foi lançada por Manuela Oliveira, directora do curso de Educação/Formação de Práticas Administrativas da Escola Secundária Oliveira Martins, frequentada por alguns dos adolescentes acusados pelas agressões e morte de "Gisberta". Preocupada com o abandono a que se encontravam votados os alunos oriundos da Oficina de S. José, a docente, com o apoio do CE, escreveu a D. Armindo Lopes Coelho alertando-o para a situação vivida na referida instituição.
A preocupação não era descabida, pois o absentismo e comportamento inadequado dos adolescentes eram preocupantes. No caso do único jovem que se encontra detido nos calabouços da Polícia Judiciária do Porto, o JN apurou que até 31 de Janeiro do ano passado o jovem tinha dado 121 faltas no conjunto das 12 disciplinas. As faltas disciplinares foram 16, havendo colegas com 19 e 21.
Contactada a Diocese do Porto, o padre Américo Aguiar, assessor de Imprensa, disse, apenas, ao JN que a referida carta não deu ali entrada.
A equipa directiva da "Oliveira Martins" fala com orgulho do projecto educativo que desenvolve para adolescentes com um historial de maus-tratos e abandono. Perante o desprezo que aqueles alunos demonstram pela escola dos moldes tradicionais, professores e gestores afirmam procurar cativá-los através de uma oferta educativa diferente, na qual procuram enquadrar os cursos de Educação/Formação.