s helicópteros de emergência médica estão impedidos de aterrar nos dois principais hospitais do Porto. No "S. João", com as obras de remodelação do serviço de Urgência, o espaço reservado ao heliporto foi ocupado por contentores, para atendimento dos utentes, e assim permanecerá, pelo menos, até ao final do ano. No "Santo António", o heliporto, construído em 1997, nunca foi utilizado por falta de segurança.
Desta forma, o helicóptero da Região Norte do INEM, tem, forçosamente, de aterrar no Hospital Pedro Hispano (em Matosinhos) ou no aeroporto Francisco Sá Carneiro (na Maia). O transporte dos doentes até aos hospitais centrais tem, depois, de ser efectuado em ambulância.
Embora o heliporto de Massarelos, na marginal portuense, esteja certificado para a Emergência Médica pelo Instituto Nacional de Aviação Civil (INAC), aquela estrutura não é utilizada para transporte de doentes por falta de uma rampa de acesso das ambulâncias à plataforma. "Houve uma hipótese de acordo para utilização do heliporto do Douro, mas o INEM não quis pagar os cerca de 7500 contos (37500 euros) da rampa", disse, ao JN, Sollari Allegro, presidente do Conselho de Administração do Hospital de Santo António.
Contactada pelo JN, fonte do INEM referiu que "o pedido nunca chegou a ser formalizado". A ideia, que surgiu há cerca de dois anos, até agradou ao Instituto, mas foram colocadas algumas reservas porque a estrutura não pertence ao INEM. Entretanto, o JN sabe que a Direcção Geral de Instalação de Equipamentos de Saúde (DGIES) e o INAC estão a estudar os heliportos existentes com vista à requalificação dos desactivados.
Ao Hospital de Santo António chegam em média, por semana, 2,5 doentes urgentes transportados pelo helicóptero do INEM provenientes do Pedro Hispano. "Somos o hospital que recebe mais doentes helitransportados", afirmou Sollari Allegro, que não esconde alguma ironia sobre a inutilidade do heliporto do Santo António. "Quando o fizeram esqueceram-se de que não dava para aterrar helicópteros..."