Se os utentes da Linha da Póvoa podem começar a esquecer o martírio dos autocarros alternativos a partir de hoje, quem utiliza a Linha da Trofa continuará a ter de enfrentar as filas de trânsito por tempo indeterminado. Ainda não há autorização do Governo para a duplicação do canal entre o ISMAI e a Trofa. O serviço da Metro do Porto continuará incompleto. E o antigo canal ferroviário, de onde até já foram retirados os carris, permanece votado ao mais completo abandono. O matagal cresce, os edifícios das defuntas estações estão reduzidos a escombros e algumas das antigas travessias usadas pelos comboios parecem ameaçar ruína a qualquer momento.
"A malta da Trofa nem sabe se o projecto é mesmo para ir para a frente e se, algum dia, o metro vai cá chegar. As pessoas que vêm de comboio saem na estação e têm de vir a pé para o terminal dos autocarros que as levam até à Maia. E ainda é longe. É um transtorno para quem anda a trabalhar", diz Fernando Ferreira, considerando que a Linha Verde deveria ter avançado antes da Vermelha (Póvoa).
"Causa muitos transtornos", reiteram Diana Soares e Maria Silva. Moram em Matosinhos, trabalham na Trofa e, todos os dias, usam o metro e os transportes alternativos. Para efectuar o trajecto entre casa e o emprego demoram uma hora e dez minutos. "Se não estiver trânsito...", salvaguardam, entre sorrisos.
A conclusão da Linha da Trofa (Verde) é esperada com ansiedade. Mas também com alguma descrença "Como esta linha parece que não tem tanta afluência como outras, tem ficado para depois", observa Maria Silva.
"A linha já devia estar feita há muito tempo. Mas são as burocracias deste país", lamenta, por sua vez, Eduardo Estanislau. Tal como António Barros, é utente dos transportes alternativos "desde o início". Ambos moram no Porto e trabalham na Trofa. Usavam a linha ferroviária, tiveram de passar a usar o metro e os autocarros. "O pior é ter de estar sempre a fazer o transbordo", indicam os dois homens, garantindo que, ainda assim, não tem outra alternativa de viagem.