Palácio das Cardosas foi vendido. A aquisição do edifício, situado na Praça da Liberdade, no Porto, ao grupo Millennium BCP foi garantida, há cerca de dois meses, pelo fundo imobiliário Prestige, gerido pela Espírito Santo Activos Financeiros. O valor da transacção não é conhecido, mas estima-se que o investimento global (um valor que inclui a compra do palácio e a recuperação do quarteirão com 42 parcelas) ascenda a cerca de 50 milhões de euros.
A estimativa é apresentada por Miguel Félix da Costa, administrador da Solitaire, empresa assessora do fundo Prestige na gestão do futuro hotel que nascerá nas Cardosas. O palácio, construído a partir do século XVIII até meados dos século XIX, vai acolher uma unidade hoteleira de luxo de cinco estrelas. "O contrato ainda não está fechado, mas será explorado por uma grande cadeia internacional", explica, ao JN, o responsável, presente, ontem de manhã, na abertura da Imobitur - II Salão Imobiliário do Porto, que decorre até depois de amanhã na Exponor.
O Millennium BCP ainda tem um balcão no palácio, que será desactivado. Para já, a prioridade do fundo imobiliário é encontrar um "investidor credível no Porto" para colaborar no projecto de requalificação do quarteirão. "A ideia é que o palácio seja acoplado ao resto do quarteirão e sofra uma intervenção, de acordo com o plano da Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU). Temos um grande apoio da SRU e a vontade de recuperar todo o quarteirão. O hotel ocupará nove mil metros quadrados e terá 105 quartos", sublinha Miguel Félix da Costa. Os restantes 15 mil metros quadrados do quarteirão serão para habitação (dois terços da área) e para serviços e comércio.
O plano da SRU, aprovado em Janeiro pela Câmara do Porto, prevê a criação de 54 casas para a classe média-alta, 29 escritórios e ateliês e um parque de estacionamento subterrâneo capaz de receber 260 viaturas.
A SRU também marca presença na Imobitur, o que, para o presidente da Autarquia, Rui Rio, é o sinal de que "a aposta da Câmara, em termos urbanísticos, é a reabilitação da Baixa". A poucos dias da conclusão da primeira requalificação de um prédio na Rua das Flores pela SRU, o autarca considera que o facto de existirem 70 pessoas inscritas para a aquisição de seis casas "é bom indicador". Entende, porém, que o grosso do investimento na reabilitação tem de ser privado "O Estado não pode nem deve reabilitar. A intervenção pública deve ficar-se pela expropriação de imóveis, quando for necessária".