Sidónio Pardal, autor do projecto do Parque da Cidade do Porto, considera que a melhor solução para o futuro daquele equipamento passa pela construção na respectiva envolvente exterior. "Os parques urbanos ganham em ser contidos por uma moldura edificada arquitectonicamente representativa", escreve o arquitecto, no livro "Parque da Cidade Porto, Ideia e Paisagem", ontem apresentado.
"Os direitos de construção a considerar para essa envolvente devem ser perequitativamente distribuídos pelos diversos proprietários(...). Os terrenos do parque, mesmo aqueles que foram alvo de posse administrativa, podem ser negociados, de modo a vir à posse pública como áreas de cedência, sem qualquer encargo para o erário municipal ", explica Sidónio Pardal.
O arquitecto sustenta que o Parque da Cidade "não ganha muito" com a expansão até à Circunvalação ou à Avenida da Boavista, absorvendo os terrenos periféricos. "Sob o ponto de vista urbanístico, as avenidas existentes não são, de longe, um bom enquadramento para o Parque, sobretudo no caso da Circunvalação", lê-se, no livro, no qual se destacam os "milhões" que seria preciso pagar para garantir os parcelas para a expansão.
Sidónio Pardal acrescenta, contudo, que se os terrenos da envolvente não tiverem uma "definição claramente explicitada" correm o risco de ser ocupados por "empreendimentos avulsos".
"Os actos falhados da Porto 2001, com o Edifício Transparente e com a rotunda do Castelo do Queijo, são já demonstrações dos resultados deste cenário confuso e ruinoso, sob os pontos de vista urbanístico e financeiro", escreve Sidónio Pardal, sublinhando, também no livro, que o projecto do parque acautela a hipótese de poder vir a ser atravessado pelo prolongamento da Avenida Nuno Álvares (projecto actualmente posto de lado).