Armando Soares tem passado os últimos tempos a contabilizar os prejuízos dos estragos causados na sua mercearia. É raro o dia em que o estabelecimento, situado em pleno Bairro de S. João de Deus (Porto), não é alvo de investidas criminosas. Sucedem-se os actos de vandalismo e os furtos.
"Esta semana tem sido todos os dias", desabafa o comerciante, que, ontem, deparou novamente com a porta arrombada. Mais uma dor de cabeça a juntar aos danos no tecto falso, paredes - já foram esburacadas com recurso a uma picareta - e ao "desaparecimento" das caixas registadoras, entre outros artigos.
A mercearia quase passa despercebida no meio de um dos bairros mais problemáticos da cidade do Porto. Está instalada num pequeno imóvel branco, apenas identificado com número "55", na Rua de Currais, uma das vias do aglomerado habitacional. Um edifício modesto mas que há 17 anos serve os moradores do "S. João de Deus". A convivência com a população até tem sido pacífica, não fossem os repetidos casos de vandalismo e assaltos. "Esta situação tem acontecido com mais incidência desde o início das demolições feitas pela Câmara. Agora, o bloco está deserto e os assaltantes fazem o que querem. Antes, ainda havia um ou outro vizinho que poderia dissuadi-los, mas agora tal não acontece", afirmou o merceeiro, sublinhando "Quem cá fica não tem nada. E por nós, comerciantes, também ninguém olha".
Na madrugada de ontem, o alarme da mercearia voltou a disparar. Armando Soares soube às 4.30 horas que o estabelecimento tinha sido de novo visado. "Isto não é tarefa de um só. Deve ter sido um bando", suspeitou, admitindo que já lhe passou pela cabeça abandonar o bairro. "Mas as coisas não são assim tão simples", disse. As queixas na PSP não têm resultado. "Dizem-me que na esquadra das Antas só há um carro-patrulha."