Há quatro anos que Maria Fernanda Leite mora numa pensão, porque o senhorio nunca mais faz as obras de recuperação da sua habitação, determinadas pela Câmara do Porto. Há quatro anos que Maria Fernanda Leite foi forçada a abandonar a casa em Miragaia, na sequência de uma vistoria municipal que determinou o estado de ruína iminente do imóvel. Há quatro anos que Maria Fernanda Leite espera que o senhorio faça as obras que a autarquia determinou. Entretanto, vai vivendo numa pensão "muito má". "Não estou bem ali", explicou, anteontem à noite, na Assembleia Municipal do Porto.
O caso atesta a ineficácia das vistorias feitas pela Câmara comprova-se o estado de ruína dos imóveis, mas os senhorios não acatam a ordem de reparação.
"O resultado efectivo das vistorias feitas ao edificado é um problema grave que enfrentamos neste momento. São determinadas obras, mas o tempo vai passando e não são feitas", admitiu o vereador do Urbanismo, Lino Ferreira, acrescentando que está em elaboração uma proposta para solucionar o problema que afecta, sobretudo, aqueles que são forçados a morar em pensões. Como Vitorino Silva e Ana Alice Silva, que também estão alojados temporariamente (há cinco meses...) numa pensão. E que também foram à Assembleia Municipal, anteontem à noite.
"Em Março, houve uma reflexão por parte da Câmara, de todos os vereadores com pelouro, sobre esta matéria. Foi nomeada uma comissão para apresentar um projecto de solução e a proposta foi recebida hoje [ontem]", revelou Lino Ferreira, acrescentando que, em sequência, está já a ser elaborada uma proposta no sentido de tornar "mais efectiva" a acção das vistorias. Até porque, conforme reconheceu o autarca, para os infractores chega a ser "preferível" pagar a coima do que executar as obras determinadas pela Câmara do Porto. HS