OGoverno quer que a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) tenha a sua sede em Lisboa. Esta nova agência resulta da fusão do ICEP com a API, que tem sede no Porto, mas ao JN uma fonte governamental afirmou que "está previsto, embora não exista uma decisão final, ter a sede da AICEP em Lisboa", até porque "o grosso da estrutura e os recursos humanos estarão em Lisboa". Acresce a tudo isto o facto de Basílio Horta, que vive em Lisboa, transitar da liderança da API para o novo organismo público.
Contactado pelo JN em Luanda, onde está a acompanhar o primeiro-ministro numa visita oficial (ver páginas 4 e 5), o ministro da Economia, Manuel Pinho, defendeu que "o investimento não é uma questão regional, mas nacional" e garantiu que "haverá uma delegação muito forte em Lisboa e outra mais forte no Porto", mas sobre a localização da sede preferiu fugir ao assunto.
Guerra de poder
Esta fusão terá também de ser acompanhada de profundas alterações na actividade da agência e a reestruturação não terá agradado a Costa Lima que, como noticiou a Visão Online, apresentou a sua demissão a Basílo Horta antes da partida deste para Angola. Contactado pelo JN, Costa Lima não quis fazer comentários, nem mesmo sobre a informação de que "a perda de poder de decisão do Porto" também pesou na sua decisão de abandonar a API.
A fusão dos dois organismos já tinha criado algum mal-estar no Governo, com o ministro dos Negócios Estrangeiros a puxar para um lado e o ministro da Economia para o outro. Freitas queria Basílio Horta a liderar a AICEP, Manuel Pinho preferia ver no lugar o actual presidente do ICEP, João Marques da Cruz. Freitas terá levado a melhor, mas ontem, em declarações ao Jornal de Negócios, fonte oficial do ministério da Economia garantiu que Marques da Cruz " vai receber funções importantes no âmbito do ministério, como sinal de reconhecimento pelo trabalho feito".