Apesar do sucesso da operação "Via livre" lançada pela Câmara Municipal do Porto, em Novembro de 2004, em colaboração com a STCP, para combater o estacionamento indevido (ler caixa), o tráfego da cidade continua a ser perturbado pelas infracções.
Qualquer rua a qualquer hora tem sempre dois ou três carros a ocupar uma fila indevida de trânsito. "Se fosse em Viana do Castelo era tudo rebocado. Lá, a polícia de trânsito é implacável", compara Rogério Conciso, justamente o condutor de um dos carros mal estacionados em frente ao Hospital Santa Maria, na Rua de Camões. "Não acho bem", reconhece, "mas a verdade é que não há alternativas. E como não se vê nenhum polícia..."
Maria da Conceição, com a saída do carro bloqueada por outro automóvel, corrobora a tese da ausência de soluções com que se confronta diariamente, no mesmo local. "Ando a correr todos os dias para o hospital há mais de um mês, porque o meu marido teve um acidente e estragou uma mão. A consulta é às 13 horas, mas chegamos sempre por volta das dez horas para conseguir lugar. E nem sempre conseguimos. Enquanto ele fica lá dentro - e pode ficar duas horas ou mais -, eu fico cá fora. Passo os dias dentro do carro. Não faz sentido", lamenta. "Se o Santa Maria tivesse um parque de estacionamento próprio, ele podia vir sozinho".
Perto da Rua de Santo Ildefonso existe o parque dos Poveiros, mas o cenário é semelhante. "Custa nove euros por dia, o que é incomportável", afirma José Semblante, proprietário de um café, que deixa sempre o automóvel a várias centenas de metros do estabelecimento. "Na rua só existem quatro lugares autorizados. Portanto, há sempre mais de 20 em transgressão". Quando a polícia aparece os episódios repetem-se "Já me aconteceu os clientes pedirem um café e depois saírem a correr sem o tomar. É muito mau para o comércio da Baixa", protesta. "Antigamente, dizia-se que os preços praticados nos centros comerciais eram mais elevados. Mas hoje já não é assim. E lá as pessoas têm onde estacionar os carros e andam sossegadas".
"Só serve para nos prejudicar", concorda Ilda Alves, responsável pela boutique "Os vinte e um". "Os clientes só têm duas alternativas ou param em segunda fila e sujeitam-se à multa ou dão duas voltas à procura de estacionamento e acabam por ir embora porque nunca encontram".