ACasa da Música (CM), no Porto, precisa de mais 2,5 milhões de euros para "concluir todos os trabalhos necessários", confirmou, ontem, ao JN o administrador-delegado do equipamento, Nuno Azevedo. A escassos dias do primeiro aniversário - a 15 deste mês -, o edifício ainda não tem em funcionamento o restaurante, a loja de merchandising, o espaço para baby-sitting e as salas exteriores, mas o responsável não especificou a empreitada que irá ser realizada e para a qual afirma ainda não haver uma data definida.
A proposta foi apresentada pela Comissão Liquidatária ao Conselho de Fundadores na passada sexta-feira, na primeira Assembleia-Geral do Conselho de Administração, e automaticamente aprovada, assegurou fonte do Ministério da Cultura. "O montante está contemplado na cláusula respeitante a 'erros e omissões' nas obras públicas e deverá ser suportado pelo Ministério das Finanças". O relatório relativo ao fecho de contas da construção da CM ainda não foi apresentado, mas o custo final, noticiou ontem o "Semanário Económico", deverá ultrapassar os 107 milhões de euros.
A verba adicional surpreendeu o vereador comunista Rui Sá. "É preocupante a necessidade de mais dinheiro face ao tempo decorrido da inauguração e face às sucessivas derrapagens ocorridas". Recorde-se que a previsão inicial era de 16 milhões de euros. No final de 2001 subiu para 50 milhões; em 2002 ascendeu aos 75 milhões, estando o último número oficial conhecido fixado nos 100 milhões de euros.
Para evitar novas surpresas, o vereador aconselha a que "os responsáveis informem, publica e exactamente, que tipo de operação está em causa são obras previamente identificadas ou resultam de imprevistos?", questiona. Em qualquer circunstância, "este novo cenário não é vantajoso para a CM nem para a imagem de todos os seus gestores".
Miguel von Hafe, vereador do PS na autarquia portuense, que também desconhecia a proposta, teme ainda o impacto negativo que o novo acrescento orçamental possa provocar na opinião pública e na programação.