Noël Mercier recebeu Portugal de presente pelos seus 60 anos. Os amigos pagaram a viagem a este turista francês que, ontem, se cruzava na Ribeira do Porto com muitos outros que aproveitavam o sol. Os espanhóis continuam a ser o maior mercado, mas a presença de turistas em férias de Páscoa parece diversificar-se, com brasileiros, austríacos e venezuelanos a partilharem o espaço com franceses, alemães e ingleses.
Desde a Praça da Ribeira até à Rua de Santa Catarina, não se encontravam, contudo, mais espanhóis do que cidadãos de outras nacionalidades. Talvez porque o pico de afluência é esperado apenas para amanhã.
Os hotéis da cidade estão ou repletos ou com boa taxa de ocupação, mas o número de dormidas não equivale necessariamente ao número de turistas que passam pela cidade. Enquanto quatro casais espanhóis contaram apenas estar em Portugal um ou dois dias, não pernoitando sequer no Porto, franceses e ingleses, por exemplo, explicavam ter reservado uma semana. Mas o atendimento ao turista não deixa dúvidas e indicia liderança confirmada dos espanhóis.
No total de 2005, é aos espanhóis que corresponde o maior número de dormidas (394 223) num estudo sobre o Porto e Norte de Portugal. Cerca de 20 mil de acréscimo em relação a 2004. E o mês da Páscoa é de eleição, juntamente com os de Verão, com mais de 41 mil no ano passado. Os outros mercados principais nem atingem metade.
Quando abordada pelo JN, a francesa Nicole Mercier, de 59 anos, tinha chegado apenas há duas horas ao Porto, com o marido aniversariante e um grupo de 40 pessoas. Residente em Dijon, o casal já tinha estado na Madeira e acabava de chegar do Sul. E o Porto? "Levamos seis garrafas para oferecer aos amigos e aos filhos", contavam, julgando que a pergunta era sobre vinho. De Portugal, conheciam já muitas pessoas da faculdade de Dijon e treinaram a língua através de um canal português.