"Está péssimo". A queixa é sempre a mesma e ouve-se de porta em porta. Nas imediações da Casa da Música, no Porto, os comerciantes pouco ou nada lucraram com o equipamento cultural que, no primeiro ano de vida, recebeu cerca de 300 mil visitantes.
"Entram para o parque de estacionamento, sobem no elevador e voltam a sair sem passar por aqui. Não se vê ninguém. A Boavista está deserta, não tem vida", desabafa Mário Santos, gerente do restaurante Snoopy, mesmo em frente à porta principal da "Casa", do outro lado da avenida.
Antes do moderno edifício abrir as portas, Mário achava que ia conseguir aumentar os preços das refeições que há anos não ultrapassam os cinco euros. Até fez obras para conseguir ter mais mesas, mas as esperanças de novos clientes cedo se esfumaram. "São sempre os mesmos. Tenho que aguentar o preço", diz, com saudades dos tempos em que a sede da STCP e a remise (antiga recolha dos eléctricos) lhe enchiam o restaurante de mecânicos, funcionários e clientes dos passes.
"Mas o pior de tudo foi esta auto-estrada que nos fizeram à porta", critica o gerente. A falta de estacionamento na Avenida da Boavista é o que mais revolta os comerciantes.
Antes os carros podiam parar dos dois lados da via, mas agora não dá para aparcar nem no meio da avenida, como acontece junto ao Parque da Cidade. "A falta de estacionamento estragou tudo. A Casa da Música é lindíssima, mas não veio ajudar-nos em nada", queixa-se Aida Lourenço, sócia-gerente da Óptica da Boavista, que abriu há 27 anos. Face às dificuldades, o estabelecimento optou por pagar aos clientes o estacionamento no parque da Casa da Música, mas nem assim o negócio melhorou.