V andalismo, insegurança e medo andam à solta no Bairro Novo da Pasteleira, uma zona nova da cidade cheia de pecados velhos. O tráfico de droga percorre as ruas circundantes e, hoje, muita gente teme sair de casa. "Não temos policiamento. Vivemos pior do que na cadeia de Custóias", afirmou, ao JN, um morador daquele aglomerado urbano, no dia em que o Conselho Municipal de Segurança analisou o problema (ler texto em baixo).
Prisioneiros do medo e da lei do mais forte, uma boa parte dos habitantes da Pasteleira vive entre grades, vedações de protecção e segurança. Apesar de poucos anos de vida, algumas casas foram vandalizadas e saqueadas. Ao nível do rés-do-chão, são visíveis as marcas da marginalidade em vez de janelas de vidro, observam-se blocos de cimento, de forma a evitar a entrada dos toxicodependentes. Em redor do bairro, em zonas referenciadas pelos moradores, grupos de jovens injectam-se, atentam contra a vida.
"Há dois meses, quando cheguei a casa, reparei na presença de quatro carros da PSP. Tinha acontecido uma cena de tiros. A rixa começou no Aleixo e acabou aqui, ao pé da porta. Não temos sossego", adiantou um morador que recusou identificar-se, com medo de eventuais represálias. "Há gente capaz de tudo", diz. Nas proximidades, fica situada a Rua Domingos Alvão, cujo edifício fronteiro apresenta sinais de degradação. "A insegurança agravou-se depois da chegada dos moradores do Bairro de S. João de Deus. Tudo se complicou", garante outro residente.
Como a droga entra no bairro facilmente, os roubos e o vandalismo fazem parte da paisagem urbana "Até os parafusos da placa de inauguração retiraram.Nada escapa", lamentou outro morador. E a Polícia o que faz? "Não há vigilância. A PSP alega não ter meios", garantiu.
Numa das fachadas dos prédios alguém escreveu "Morte à bófia" e "Tarrafal". O medo também mora aqui.