Oministro das Obras Públicas garantiu ontem em Santiago de Compostela que a ligação Porto-Vigo em TGV é "prioritária" para Portugal e admitiu que o interesse de instituições financeiras galegas em financiar o projecto demonstra que é "rentável".
As declarações de Mário Lino a jornalistas galegos, à saída de um encontro com o presidente da Junta da Galiza - contraditórias com outras que ele próprio e a secretária de Estado Ana Paula Vitorino têm feito nos últimos meses -, foram lidas do lado de lá da fronteira como uma "inversão" da estratégia portuguesa em relação ao projecto. Na Cimeira Luso-Espanhola de Novembro, em Évora, o Governo comprometeu-se a avançar com Lisboa-Madrid (2013) e Lisboa-Porto (2015), alegando razões orçamentais para deixar em aberto as datas para Porto-Vigo e Faro-Huelva.
A falta de condições de rentabilidade da linha tem sido, entretanto, insistentemente invocada pelo Governo para justificar o adiamento da ligação que, ao abrigo dos acordos da Figueira da Foz (2003) era para ser a primeira a entrar em operação (2009).
O argumento, contudo, não convence os 18 autarcas portugueses e galegos da associação Eixo Atlântico, que lembram que a linha vai servir uma população de 6,3 milhões de pessoas no Noroeste Peninsular. Um estudo das universidades do Minho e Vigo, aliás, vem dar-lhes razão, ao garantir que a ligação pode potenciar o PIB do Noroeste Peninsular em 17,1 mil milhões de euros. O mesmo estudo indica que a não realização do projecto - considerado prioritário pela Comissão Europeia - implica a não criação de 100 mil empregos.
O ministro remeteu ontem para o final do ano a revelação das novas datas para o projecto, que está a ser alvo de um estudo anunciado em Fevereiro e que deverá apontar 2015 como ano para conclusão da linha. Mário Lino disse que o cenário em que Portugal se baseia é de uma ligação feita a 220 a 250 quilómetros/hora e sublinhou que a "velocidade determina em grande medida o custo do projecto". A última avaliação, feita pela RAVE (que gere a alta velocidade em Portugal), aponta para 1,3 mil milhões de euros o custo dos cerca de 100 quilómetros que terão de ser feitos do lado português.