A Câmara do Porto confirmou a retirada do apoio financeiro, de 11 mil euros, às comemorações do 25 de Abril. Mas a comissão organizadora do evento, que se reúne terça-feira, exige o dinheiro e volta a criticar a autarquia.
Na sequência da reunião, esta semana, com os representantes da autarquia, a Comissão Promotora das Comemorações Populares do 25 de Abril tomou nova posição, atribuindo aos responsáveis da Câmara um "comportamento que acaba por ser adversário das liberdades e direitos conquistados" com a revolução.
Tudo começou com críticas da União de Sindicatos do Porto (USP), membro da comissão promotora, à decisão da autarquia de retirar 10 cartazes anunciando o programa de festas. As faixas e cartazes, justificou a Câmara, foram colocados ilegalmente. O apoio financeiro (cerca de 50% da despesa) ficou suspenso, mantendo-se o apoio logístico.
Em carta assinada pelo chefe de gabinete de Rui Rio, enviada na semana passada, alega-se que "quem solicita apoios à autarquia (...) tem a estrita obrigação de manter uma conduta de respeito pela instituição, abstendo-se de a hostilizar, no âmbito das próprias iniciativas que são objecto dos apoios concedidos". Princípio repetido na reunião desta semana com o chefe de gabinete, Manuel Teixeira, e o vereador Gonçalo Gonçalves, e que a comissão recusou subscrever.
A USP condena a "atitude arrogante e prepotente da Câmara, que demonstra que, para os seus actuais inquilinos, apoios e subsídios terão que corresponder à subserviência de quem os recebe". E acusa-a de pretender "silenciar críticas e oposição". A USP fala ainda de "hipocrisia política de quem aparentemente se pretende identificar com os ideais do 25 de Abril".