Aanunciada saída da Exponor de Matosinhos e respectivos projectos de substituição continuam a dar polémica. A CDU desconfia que os anunciados projectos de centros de investigação e para empresários sejam apenas uma "cortina de fumo" para as reais intenções de ali instalar um centro comercial e um empreendimento imobiliário. A Associação Empresarial de Matosinhos diz que é "um erro crasso" deixar que a Exponor abandone o concelho e acrescenta que nada é dito sobre quais são as alternativas.
As dúvidas sobre o projecto adensaram-se com as declarações, ao JN, do presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP). Ludgero Marques confirmu que a feira de exposições sairá de Matosinhos e que naquele espaço nascerá, além de um complexo empresarial e de investigação, um hotel de cinco estrelas, espaços de restauração e, possivelmente, habitação.
Uma solução diferente da anunciada, um dia antes, pelo presidente da Câmara, Guilherme Pinto um centro de negócios, um centro de congressos e uma área de incubação de empresas. Nada de casas ou restauração.
As discrepâncias inquietam Honório Novo. O vereador da CDU considera que as "sugestões" lançadas para ocupação dos espaços mais não são do que uma forma de "testar reacções". O autarca critica o "secretismo" das negociações e sublinha que se a AEP avançar para um projecto imobiliário e comercial a Câmara deve exigir a reversão dos terrenos que cedeu há 20 anos. Diz também que quer ver se "o Governo tem lata" para apoiar com fundos públicos (através de verbas comunitárias) um projecto que já apoiou, há 20 anos, para Matosinhos. "Que lógica será a de apoiar duas vezes umas instalações com os mesmos objectivos?", questionou.
"A Exponor é um marco de Matosinhos, que contribuiu bastante para o desenvolvimento da terra. A autarquia deve empenhar-se na sua manutenção. Até porque, se ali for instalado um pólo empresarial, não terá o mesmo peso que uma Exponor, com feiras e milhares de visitantes durante todo o ano", sublinhou Sá Pereira, da Associação Empresarial de Matosinhos.