Ésobejamente conhecida a importância que teve, para o desenvolvimento urbanístico do Porto, a acção reformadora dos Almadas, que aqui chegaram pelos meados do século XVIII. João de Almada e Melo cria a Junta das Obras Públicas, uma espécie de gabinete de urbanização daqueles tempos, e através desse organismo põe em prática um arrojado plano de modernização da cidade que até ali tinha vivido encolhida dentro do perímetro das muralhas ditas fernandinas.
O filho, Francisco de Almada e Mendonça, foi um digno continuador da obra iniciada pelo pai, construindo praças e miradouros; rasgando ruas e avenidas; desenhando jardins e parques; construindo chafarizes e fintes.
Enquanto o bispo, D. Rafael de Mendonça, construía, no cimo do morro da Pena Ventosa o faustoso palácio que ainda hoje é a Casa Episcopal do Porto, Almada e Mendonça andava ocupado com a abertura de novos arruamentos e amplas praças que obedeciam a um novo enquadramento em que predominava a linha recta.
A abertura, do lado de fora das muralhas, de mais amplos arruamentos e de novos logradouros, proporcionou à cidade dos finais do século XVIII, começos do seguinte, o ensejo de fazer alarde de desusadas manifestações de luxo e de espavento que até pareciam adormecidas.
Por exemplo ruas mais amplas, traçadas em linha recta e lajeadas, obrigaram à utilização de novos meios de locomoção. A liteira que, até ali, era o meio de transporte que melhor se adaptava aos arruamentos estreitos, empinados e sinuosos da cidade medieval, desapareceu para dar lugar à caleche, à sege, à berlinda, ao chars-à-banc, ao coche, à traquitana, ao carroção, veículos aos quais se atrelava uma, às vezes duas, parelhas de possantes animais.